SILVANA DUBOC


Leve como uma pena
Eu era tão pequena
Quando te vi pela primeira vez
E se você me viu, nem sei

Eu estava fantasiada de botão de rosa
E você de céu
Em volta dos nossos pés, um anel
Que dizia que eu era Maria
E que você era João

E foi aí então
Que conduzidos num mesmo colo
Tocamos pela primeira vez as nossas mãos
E nesse instante eu seduzi seu coração

Muitos anos se passaram
Até que um dia, novamente, nossas mãos se tocaram
Quando por alguém fomos apresentados
Delas, saíram raios
E os nossos corações dispararam

Eu estava vestida de rosa, como uma flor
E você de azul, igual ao amor
Daí então eu me lembrei
Que no passado, por você, eu me apaixonei

Você, no entanto, não entendeu
Porque seu coração disparou
No momento que a sua mão na minha tocou
Mas era tarde
E fomos embora, estava na hora

Muitos anos se passaram novamente
E foi tão de repente
Que eu nem percebi
Que já era hora de partir

Agora estou aqui
Na fila de entrada
De uma tal de "definitiva morada"
E me dizem que estou sendo ansiosamente aguardada

Chega então a minha vez
E alguém lá de dentro grita para o porteiro:

"Deixa a mulher de rosa logo passar
tem alguém aqui dentro de azul
louco pra vê-la chegar
e que jura que de sua mão
nunca mais vai largar!"

 

Continua