Pescador
Lydia Prando de Souza
Corpo esguio, a pele tostada pelo sol,dá-lhe a cor do cobre para o negro.
Mãos calejadas e feridas pelas cordas,e dos peixes, pelos ferrões.
Joga a tarrafa no mar!
Corpo semi-nu,somente um calção lhe cobre as nádegas.
No elastecer dos braços,a barriga encolhe e o calção desce.
ao jogar a tarrafa no mar!
Quase despido, alheio aos olhares curiosos e zombeteiros.
Ele está no fundo do mar,por entre as malhas, no meio dos peixes,
sonhando acordado com a grande "caçada "
Pois jogara a tarrafa no mar!
Está na hora!
Respira fundo, empola o peito, enche de ar os pulmões!
Preparado está para suportar o peso dos peixes.
Vai retirar a tarrafa do mar!
O coração bate mais forte, os olhos faíscam!
Ele vai puxando a tarrafa...
Puxando... puxando...
De repente! ... surpresa,
A tarrafa está vazia.
Desapontado e tristonho coça a cabeça, ajeita o calção e... pacientemente,
joga de novo a tarrafa no mar.