Lydia Prando
de Souza
Sob a relva verdejante,
ainda molhada pela chuva que cai,
guardo a indumentária que até ontem usei.

Aproveito o espaço
e guardo também um rosário de magoas,
dores, tristezas e sofrimentos.

Como chave, uma pequenina
lápide de cimento
rústico com o meu nome.

Quem parte sempre chega em algum lugar!
Eu parti. O sono chegou...eu dormi.

Parti despida, leve e
serena, rumo ao etério.

Mas em busca do quê?
Em busca da vida!
Quanto tempo para acordar do sono ou do sonho?
Eu simplesmente dormi...
Quem parte sempre chega em algum lugar!
Ao acordar vi que a verdadeira vida, desde ontem
habita em mim.
