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Debalde
as tentativas para acalmar o choro,
lágrimas se debulhavam pelo rosto,
só porque o vovô não deixou mudar o canal da
televisão.

--"Eu
quilia assisti, vóóóó !!!"
Nem a chupeta servia de consolo.
Estava difícil retê-lo na cozinha comigo,
só restava uma última cartada,
fazê-lo meu herói e protetor.
Essa deu
certo.

Pedi que ficasse
comigo, porque eu estava
com medo de ficar sozinha.

O choro parou, as
últimas lágrimas ainda
escorrendo pelo canto da boca...
O pequeno gigante falou:
Ocê tá cum medo do lobo mau ? "

Diante da minha
resposta afirmativa, ele disse:
"Se ele vim pegá ocê, eu mato ele, eu sô foite !
Oi como eu sô foite !" Mostrando o muque.
Assim mantivemos um longo diálogo, enquanto eu
terminava o jantar.

Muitas vezes
somos obrigados a inverter os papéis, pois,
altas horas da noite
o meu herói acordou chorando:
"Vó, tô cum medo "...
"Medo do que ? "
"Do lobo mau "!!!
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