O pequeno grande herói da minha vida

Lydia Prando de Souza

 Debalde as tentativas para acalmar o choro,
lágrimas se debulhavam pelo rosto,
só porque o vovô não deixou mudar o canal da televisão.

--"Eu quilia assisti, vóóóó !!!"
Nem a chupeta servia de consolo.
Estava difícil retê-lo na cozinha comigo,
só restava uma última cartada,
fazê-lo meu herói e protetor.

Essa deu certo.


Pedi que ficasse comigo, porque eu estava
com medo de ficar sozinha.

 

O choro parou, as últimas lágrimas ainda
escorrendo pelo canto da boca...
O pequeno gigante falou:
Ocê tá cum medo do lobo mau ? "

Diante da minha resposta afirmativa, ele disse:
"Se ele vim pegá ocê, eu mato ele, eu sô foite ! Oi como eu sô foite !" Mostrando o muque.
Assim mantivemos um longo diálogo, enquanto eu terminava o jantar.

Muitas vezes somos obrigados a inverter os papéis, pois, altas horas da noite
o meu herói acordou chorando:
"Vó, tô cum medo "...
"Medo do que ? "
"Do lobo mau "!!!