Maria 

Ô Luzia,Luzia, vamo saí cum Maria antes das água chegá.

Maria tava doente,

Tinha que i no povoado, 

mo de consurtá um dotô. 

Eu carecia recursá o gado, 

Que num tinha o que cumê. O tempo foi passano, 

passano, hoje num dá, aminhã tomem, 

Maria ia sempre piorano. O riacho incheu !?!?

carroça num passa não. nois fica mais de treis meis infiado no sertão. A boca da serra estorô!!! 

As água incheu o riacho...

E nois num levemo Maria

Só cinco aninho tinha minha fia

As veis guspia sangue,

de tanto que ela tussia. 

Remédio de erva,

dei tudo o que sabia,

ela num tinha fome,

cada veis mais esmagrecia.

Co tempo o riacho secô.

Saimo p'ra Bom Jesuis da Lapa.

Daqui até lá é tão longe!

Nois mora no meio da mata.

Maria tava fraquinha,

os zoio inté revirava,

Eu mais Luzia ajoeava na areia...

E chorando nois rezava...

P'ra nois parecia

que nos pé do artá

o Bom Jesuis

a menina ia curá.

Entremo na igreja, na frente da romaria:

Licença mia gente!

Perciso sarvá minha fia!

Diante do artá de Cristo Nosso Sinhô,

Maria regalo os zoinho...tremeu o beicinho... e quietô

Todos romeros chorô:Ah...Luzia, Luzia,

. Pruque num tiremo Maria

antes das água chegá...

Lydia prando de Souza