Lupanar
Lydia Pranto de Souza
Cama feita ... desfeita.
Quantas vezes na noite?
Desfeita... e ainda aquecida pelo calor de nossos corpos exalando o perfume do amor;
Mas ,amor é esse sentimento que abre uma ferida, no recôndito do meu ser,
que esvazia minh'alma e libera meu pranto?
Não, não pode ser! Vinte minutos para me recompor,
e estar jovialmente bela para receber mais um.Oh! noites infindas , cruéis e tenebrosas ;
As horas não passam..
.
O velho relógio na parede, à meia noite , durante milhares e milhares de noites,
Anunciou o nascer de um novo dia.... um novo dia igualzinho aos demais!E assim minha vida passou, encharcada no lamaçal da miséria humana,
sem ter ao menos uma mão amiga p'ra me levantar,e nunca o ombro do companheiro para chorar.
O tempo e a enfermidade, me despojaram do vigor e da beleza,deixando-me profundas marcas e cicatrizes, no corpo, na alma, e no coração.
Sei que este corpo senil (outrora tão desejado) está prestes a tornar-se pó,porém resta-me o consolo de que, aqueles que me fizeram GENI,
usando o meu corpo ... e agora riem da minha desgraça, atiram-me dejetos do desprezo
e da repugnância, um dia também,
( tenho a certeza,) terão seus corpos prostituídos
por impiedosos vermes
- no lupanar da sepultura.!
Fev/99