Liberdade
 
                                                  Lydia Prando de Souza

Ele vivia num suntuoso palácio, entre fidalgos de uma pomposa corte. Tudo ao seu redor era beleza e realeza.

Num imenso salão azul, todo alcatifado de cetim, ele era o centro das atrações;

 Num traje marinho, os delicados ramos bordados na gola alta  que lhe subia ao pescoço  dava-lhe assim,  uma garbosidade no seu porte de alta nobreza. 

 Ao som de dulcificante valsa,  executada pela mais requintada orquestra da corte,  fazia vibrar de emoção os corações,  de lindas jovens de famílias nobres, que foram convidadas para aquela deslumbrante festa,  afim de que ele pudesse escolher aquela que seria a eterna companheira,  nos dias alegres e faustosos que o futuro lhe reservava.

 Cada valsa uma parceira ... cada valsa um coração feminino vibrava mais forte,  os suspiros apaixonados e os olhares lhe cravejavam como setas envenenadas de paixão,  na esperança de atingir-lhe o coração. 

 Tudo vibrava, tudo era alegria ao seu redor, seu rosto pálido, raramente sorria, porém rodopiava... rodopiava numa ânsia incontida ... buscando no além, um ser invisível ... como se na próxima volta fosse encontrar um coração que pulsasse no mesmo ritmo do seu ... Bailava ...bailava sem parar, como  se fora a última noite de bailar.

 

  O cansaço o venceu ...Caiu de chofre sobre o veludo marrom do suntuoso sofá.

 E no seu estado estafante fecha os olhos e ao fechá-los,

 sua visão se aclara!

 Eis aquele ser invisível diante de si! agora pode vê-la!

 Seus pensamentos se imantam, embora o seu corpo permaneça inerte, algo dentro de si se liberta;

 toma aquele ser em seus braços, e rodopia mil vezes naquele imenso salão!

 seus corações pulsam no mesmo ritmo das valsas, seus corpos unidos entrelaçavam seus corações, cujo élo força alguma poderá quebrar;

 E nesse fervilhar de emoções nasce o amor,  floresce com tanta pureza qual a brancura do lírio;

  Seu olhar já não tem mais aquele brilho apagado, de tristeza, mas sim um estranho fulgor, suas faces rosadas, seus lábios se abrem num doce sorriso ... abraça-a com mais força, num desespero louco, com medo de perdê-la... balbucia alegremente;

 

 EU A AMO LIBERDADE!!!

E no sofá marrom, restou apenas um corpo inerte, pois a sua alma voara para a ETERNIDADE !....

 

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