Eu Moleque

Lydia Prando de Souza

Moleque risonho e travesso,
retrato vivo do meu eu distante,
         distante no presente, presente na lembrança.


Vejo-me em você moleque da rua,
zango-me com suas peraltices, 
no entanto, vibro, porque você
é um pouco de mim. 


Cigarras atormentadas,
borboletas fugitivas
e vaga-lumes caçados,
gostaram que eu tenha crescido;
Adulto no físico, criança na saudade!


Eu queria de novo entrar na ciranda;
Na ciranda da malandra rua,
mesmo que fosse o menor dos menores, 
o que leva pancada do moleque crescido;

Jogar as peladas, banhar nas águas 
barrentas do rio, que encardem a camisa. 

 

Porém, os anos me tiraram o traquejo... 
A agilidade e o traquejo das pernas suas.

Por isso moleque, viva intensamente
os anos de agora, cada dia cada hora,
porque o amanhã não tarda chegar
e dos folguedos restará apenas a saudade.

 



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